Cobertura das Eleições 2026 no portal da Band

Semana de 24 a 30 de agosto de 2026

72 MATÉRIAS 7 DIAS 43.280 PALAVRAS

Período analisado: 24/08/2026 a 30/08/2026

1. Volume da semana

Entre 24/08/2026 e 30/08/2026 o hub Eleições 2026 do portal da Band publicou 72 matérias em 7 dos 7 dias, somando 43.280 palavras. No período anterior de mesma duração (17/08/2026 a 23/08/2026) foram 73 — praticamente estável (-1%).

O que esta base contém. As matérias vêm do portal da Band — band.com.br/politica/eleicoes/2026, a editoria Eleições 2026 do site.

A linha tracejada marca a média diária da semana anterior, para referência. Variações de um ou dois dias em veículo de portal acompanham a agenda factual e não indicam, por si, mudança de prioridade editorial.

2. Presença dos objetos

Das 72 matérias do período, 49 contêm ao menos um objeto do livro de códigos. Os mais presentes foram Lula (31), Flávio Bolsonaro (27) e Renan Santos (21). O gráfico compara a participação de cada objeto na semana com a que ele tem no acumulado da série, o que permite ver quem esteve acima ou abaixo do seu próprio padrão.

Acima do próprio padrão nesta semana: Lula, Renan Santos, Caiado.
Percentuais sobre as matérias com ao menos um objeto em cada período. Uma matéria pode conter vários objetos.

3. Agenda da semana

Os 131 códigos de enquadramento atribuídos na semana concentram-se em corrida eleitoral, com 60% do total. A tabela reúne todos os temas do período, somando os três níveis de enquadramento.

4. Valência

O saldo de valência é reportado sobre o acumulado da série (01/07/2026 a 30/08/2026), não sobre a semana. Com 49 matérias com objeto em sete dias, nenhum objeto reúne casos suficientes para que a variação semanal do saldo seja distinguível da instabilidade do próprio codificador — ver a nota metodológica.

A contagem da semana é informativa; o saldo só é calculado para objetos com pelo menos 5 matérias que tomam posição (favoráveis mais contrárias) — não basta o objeto ter muitas matérias se quase todas forem neutras. E mesmo acima do piso o valor deve ser lido como indício, não como medida.

5. Assunto e tratamento: Lula e Flávio Bolsonaro

Esta seção trata do noticiário de 24/08/2026 a 30/08/2026 sobre os dois candidatos mais presentes. Para cada um: sob que assunto foi noticiado no período, como esse assunto foi apresentado, e como isso se compara ao comportamento do veículo na série acumulada. O contraste com a série importa porque isolar uma quinzena não diz se o que se vê é o padrão do veículo ou um desvio dele.

Lula — no período, o assunto dominante foi corrida eleitoral, em 25 das 30 matérias em que ele recebeu tema (83%). Dentro desse assunto: 4 favoráveis, 7 contrárias, 14 neutras — saldo de -0.27 entre as 11 que tomam posição.

Ante a série, Lula esteve acima do seu padrão em presença (63% das matérias com objeto no período, contra 47% na série), sob a mesma chave dominante da série (corrida eleitoral, 83% dos códigos do período contra 84% na série). O saldo do período, -0.53 sobre 17 matérias que tomam posição, é mais contrário que o acumulado da série (-0.13 sobre 122).

O tema preponderante da cobertura de Lula no período foi sua ausência no primeiro debate presidencial promovido pela Band e a repercussão desse fato. A falta foi reiteradamente mencionada como um gesto de esquiva: matérias destacam que Lula foi um dos que ‘optaram por não comparecer sem encaminhar recusas formais à emissora’ e que sua ausência ‘se tornou tema do debate em vários momentos’. O vazio foi materializado visualmente com ‘púlpitos vazios’ no estúdio, mantidos ‘numa forma de expor de maneira explícita a recusa dos candidatos’. Adversários que participaram concentraram críticas nessa ausência: Renan Santos afirmou que Lula ‘não tem coragem de vir a público falar’, enquanto Caiado chamou os faltosos de ‘fujões’. A justificativa do petista não aparece nas matérias, cuja cobertura o retrata prioritariamente pela ótica da ausência e das acusações que ela gerou, sem dar espaço a explicações do próprio campo. Outros eventos envolvendo Lula no período, como sua sabatina na TV, o ato em BH sobre a escala 6×1 e a nota sobre fotos com lobista, figuram nas matérias mas como temas secundários, sem caracterizar um bloco temático alternativo que rivalize com a centralidade da ausência no debate.

Flávio Bolsonaro — no período, o assunto dominante foi corrida eleitoral, em 25 das 27 matérias em que ele recebeu tema (93%). Dentro desse assunto: 4 favoráveis, 7 contrárias, 14 neutras — saldo de -0.27 entre as 11 que tomam posição.

Ante a série, Flávio Bolsonaro manteve a presença habitual (55% no período, 52% na série), sob a mesma chave dominante da série (corrida eleitoral, 93% dos códigos do período contra 87% na série). O saldo do período, -0.23 sobre 13 matérias que tomam posição, é mais favorável que o acumulado da série (-0.44 sobre 131).

A cobertura gira em torno da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em 2026. No início, a ausência no debate da Band é o principal enquadramento, com “púlpitos vazios” e a crítica de que os faltosos seriam “fujões”. Depois, alternam-se pesquisas, como “Flávio lidera em PR, RS e SC”, e a sabatina na TV Globo, marcada pela “cola de mão”. Flávio diz “Eu vou ganhar no 1º turno”, anuncia Claudio Lottenberg e propõe segurança com “Tem pouco preso no Brasil. Tinha que ter mais.”

O tratamento inclui embates jurídicos e de propaganda com Lula: “Lula pede inelegibilidade de Flávio” e “Justiça determina retirada de propaganda de Lula contra Flávio Bolsonaro”. As vozes citadas são do candidato, de Lula, de aliados e de comentaristas. Repetem-se enquadramentos como “fuga da verdade”, “herdeiro político” e “pior dos Bolsonaros”. Predominam episódios de campanha, pesquisas e acusações; ficam pouco detalhadas as propostas.

Efeito das matérias de pesquisa. Retirando da conta as matérias que reportam resultado de survey — em que o mesmo texto registra a vantagem de um e a desvantagem do outro, por aritmética do placar —, o saldo do período muda assim: Lula passa de -0.53 para -0.62; Flávio Bolsonaro passa de -0.23 para -0.45. A distância entre as duas medidas indica quanto do tom atribuído a cada ator vem do placar e quanto vem da cobertura substantiva.

6. Nota metodológica

As matérias vêm dos sitemaps semanais do portal, com texto integral, e são codificadas por modelo de linguagem (DeepSeek V4 Pro), uma matéria por requisição, segundo o livro de códigos do Manchetômetro versão 2.3.

Estabilidade da medida. Duas codificações independentes da mesma base concordaram entre 65% e 76% no item, e saldos agregados chegaram a variar de −0,09 para −0,40 entre passadas. Sobre algumas centenas de matérias isso ainda permite ler direção; sobre as poucas dezenas de uma semana, não. É por essa razão que esta edição reporta valência apenas no acumulado. A validação manual por amostra, que permitiria calibrar a medida, ainda não foi feita.

Como se calcula o saldo de valência. Cada matéria recebe, para cada objeto político nela presente, uma de quatro valências: favorável (F), contrária (C), neutra (N) ou ambivalente (A). O saldo resume a direção dessa distribuição, pela razão (F − C) ÷ (F + C), e varia entre −1 e +1.

O denominador é F + C, e não o total de matérias. O saldo mede para que lado pende a cobertura entre as matérias que tomam posição, e matérias neutras não têm lado para somar. Se entrassem no denominador, um ator coberto de forma majoritariamente factual apareceria com saldo próximo de zero pela simples abundância de registro neutro — e um saldo próximo de zero passaria a significar duas coisas incompatíveis: equilíbrio entre posições opostas, ou ausência de posições. Por isso o saldo é sempre lido ao lado da proporção de matérias que se posicionam. Exemplo, no acumulado desta edição: Flávio Bolsonaro aparece em 222 matérias — 37 favoráveis, 94 contrárias, 85 neutras e 6 ambivalentes. Posicionam-se 131, e o saldo é (37 − 94) ÷ 131 = -0.44.

Pisos. Um objeto só entra nas tabelas com pelo menos 10 matérias, e o saldo só é calculado quando ao menos 5 delas tomam posição. O segundo piso importa mais que o primeiro: um ator com 13 matérias, das quais 4 contrárias e 9 neutras, produziria saldo −1,00 sobre uma base de quatro casos. Onde o piso não é atingido, a tabela informa “n insuficiente” em vez de exibir um número que descreveria o acaso.

Duas versões. O relatório apresenta o saldo sobre toda a cobertura e o saldo excluindo as matérias que reportam resultados de pesquisa eleitoral. Nessas, a valência decorre da aritmética do placar — o mesmo texto registra a vantagem de um e a desvantagem do outro — e não de escolha sobre como narrar o ator. A distância entre as duas medidas é, ela própria, um resultado: indica quanto do tom vem do placar e quanto vem da cobertura substantiva.
Limite: o saldo mede direção, não intensidade. Não distingue uma crítica severa de um reparo lateral, nem pondera as matérias por extensão ou destaque. E, como toda medida derivada de codificação automatizada ainda não validada manualmente, deve ser lido como ordem de grandeza — duas codificações independentes desta base concordaram entre 65% e 76% no item, de modo que diferenças de poucos centésimos entre objetos não se sustentam.

Expediente

O LEMEP (Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública) é um laboratório de pesquisa do IESP-UERJ dedicado às relações entre comunicação, esfera pública e comportamento político no Brasil. O Manchetômetro é seu projeto de monitoramento da grande imprensa, ativo desde 2014.

O projeto De Olho nas Eleições 2026 retoma a experiência do “IESP nas Eleições”, realizado em 2018, reunindo professores, estudantes e pesquisadores do IESP-UERJ e de instituições parceiras para produzir análises curtas, acessíveis e fundamentadas em pesquisa sobre o processo eleitoral brasileiro. Em parceria com o Observatório das Eleições, a iniciativa organizará seus conteúdos em seis eixos temáticos – Opinião Pública, Legislativo, Economia, Judiciário, Mídia e Redes Sociais e Política Externa – e manterá um site com textos recentes, informações sobre o projeto, repercussões na imprensa e atualizações nas redes sociais. O projeto é coordenado por João Feres Júnior e Carolina de Paula.

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