O eleitorado fora do eixo Lula–Bolsonaro
Quem não votou em Lula nem em Bolsonaro no primeiro turno de 2022: perfil do grupo e suas inclinações de voto em 2026.
Os dois grandes blocos da eleição estão decididos. Entre quem se lembra de ter votado em Lula em 2022, 84% pretendem repeti-lo; entre quem votou em Bolsonaro, 83% já se transferiram para Flávio. Se a disputa não está aí, onde está? Está no eleitorado que, quatro anos atrás, não escolheu nenhum dos dois: um contingente jovem, indefinido e, por isso mesmo, decisivo.

Perfil do grupo
São 455 eleitores: 405 declaram branco, nulo ou que não votaram, e 50 recordam voto em terceiros. O traço que salta é a idade. Com média de 36 anos, o grupo é bem mais jovem do que quem recorda ter votado nos dois principais nomes (44 a 47 anos), e cerca de um em cada seis tinha menos de 16 anos em 2022, ou seja, estreia agora nas urnas. Não é um bloco de veteranos desencantados; é, em boa parte, eleitorado novo, ainda sem vínculo firmado.

Intenção de voto em 2026
Para onde vai esse grupo em 2026? A resposta mais reveladora vem do cenário de segundo turno, que força a decisão entre Lula e Flávio. Mesmo assim, 43% recusam os dois nomes ou seguem indecisos, quatro vezes a taxa de recusa dos que se lembram de ter votado em Lula ou Bolsonaro. Entre os que efetivamente escolhem, Lula lidera: 59% contra 41%, quase 20 pontos de vantagem. No primeiro turno, com mais opções na mesa, a dispersão é ainda maior: apenas 24% em Lula e 13% em Flávio.

Fidelidade dos eleitorados de 2022
O gráfico abaixo mostra claramente que quem votou em Lula ou em Bolsonaro em 2022 forma um eleitorado fiel: as barras de recall Lula e de recall Bolsonaro são dominadas por uma cor só. Já os “nem-nem” dividem-se em três. É esse terço, e não a conversão de um bloco no outro, que está em jogo. A implicação para a leitura da corrida é direta: em 2026, ganha menos quem consegue arrancar eleitores do campo adversário e mais quem consegue mobilizar esse contingente jovem e desligado, que hoje pende de leve para Lula, embora sua marca principal seja a indefinição.

Vale repetir a cautela: recordação de voto de quatro anos atrás é imperfeita, e o grupo mistura quem de fato se absteve em 2022 com quem só agora vota. Ainda assim, a direção é robusta e o recado, claro. A estabilidade dos dois eleitorados é justamente o que joga a decisão para fora deles. Quem quiser entender 2026 deve olhar menos para o duelo consolidado e mais para o quarto do eleitorado que ainda não entrou nele.