Pesquisa das Pesquisas: Relatório N° 2
Análise descritiva sobre a série bruta de levantamentos registrados no TSE — as pesquisas como unidade de observação, não os eleitores. Sem microdados; leitura indicial, não inferência sobre o eleitorado.
29 pesquisas com 1º turno · 24 com 2º turno 31 registros TSE · 12 institutos janela jan–set 2026 base = total de entrevistados
fonte: matéria c/ metodologia (ainda não reconciliada contra a íntegra do PesqEle)
§1 · Intenção de voto por data de campo, instituto e candidato
01 Série bruta e tendência descritiva
O objeto é a dispersão completa dos levantamentos, não uma estimativa agregada única. Cada ponto é uma pesquisa; a cor distingue os candidatos e a forma, o método de coleta. A linha é uma suavização LOESS descritiva — não previsão nem agregador corrigido.

Núcleo fixo (Lula e Flávio; §6 do protocolo). A dispersão vertical entre institutos numa mesma data é o dado, não ruído. Diferenças dentro da margem de erro não sustentam ordenamento entre candidatos.
Depois de um platô em torno de 41–42% no meio do ano, a curva de Lula no 1º turno recua para a casa dos 38% nas rodadas de fim de agosto e início de setembro (Quaest 37%, PoderData 37%, Datafolha 38%), com Flávio entre 30% e 34% — a distância mais curta do ano fora dos levantamentos online. A entrada oficial da campanha coincide com a queda dos indecisos e com o surgimento de Augusto Cury na casa dos 10% nas coletas presencial e telefônica (menos no online); por estar fora do núcleo fixo, ele permanece no CSV, não no gráfico. Os pontos online da AtlasIntel (triângulos) seguem acima da nuvem — objeto da seção seguinte.
§2 · Desvio sistemático por instituto e método de coleta
02 Efeitos de casa (house effects)
Para cada pesquisa calculou-se a vantagem de Lula sobre Flávio no 1º turno (o gap) e o seu desvio em relação à tendência temporal comum (LOESS). A média desses desvios por grupo mede o viés sistemático: positivo = gap mais largo que o consenso na data (relativamente pró-Lula); negativo = mais estreito (relativamente pró-Flávio).

Ponto = desvio médio do gap de 1º turno (pp); barras = intervalo de 95% por bootstrap sobre as pesquisas. Institutos com n=1 não têm incerteza estimável.

Por método, as telefônicas pendem pró-Flávio (-1,55 pp) e as presenciais pró-Lula (+1,41 pp); com mais rodadas, essa separação ficou um pouco mais nítida, embora os intervalos ainda toquem o zero. Não sustenta ordenamento forte entre modos.


§3 · Dispersão entre institutos por janela mensal
03 Dispersão inter-institutos ao longo do tempo
Se os institutos convergissem à medida que a eleição se aproxima (herding), o desvio-padrão do gap de 1º turno entre pesquisas de um mesmo mês deveria encolher com o tempo. Não é o que se observa.

Desvio-padrão do gap de 1º turno entre institutos, por mês de fim de campo. Barras claras: meses com menos de 3 pesquisas, em que a medida é frágil ou indefinida.

A dispersão é substancial e não-monotônica: agosto (n=8) reúne a maior amplitude da série — 14,7 pp entre institutos na mesma janela. Setembro ainda tem poucas rodadas para leitura estável. Não há indício de convergência; boa parte da amplitude vem da heterogeneidade já identificada (CNT/MDA num extremo, Gerp e telefônicas no outro).
§4 · Distância entre candidatos por turno
04 Vantagem de Lula sobre Flávio por turno
A vantagem média de Lula é de 6,9 pp no 1º turno e de 2,6 pp no 2º. Restringindo às 22 pesquisas que trazem os dois cenários, o contraste se mantém: 7,0 pp no 1º contra 3,0 pp no 2º.

Vantagem de Lula sobre Flávio (pp) por data de campo, com suavização LOESS por turno. Valores acima de zero indicam Lula à frente.
O runoff reduz a dianteira do 1º turno a menos da metade e, nas rodadas recentes, a distância no 2º turno aproxima-se do empate técnico; em 5 das 24 simulações de 2º turno Flávio aparece numericamente à frente — em geral dentro da margem. É a leitura agregada de transferência e consolidação de voto; nada aqui autoriza afirmar movimento de opinião a partir de diferenças que cabem no arredondamento.
§5 · Limites do dado e próximos passos
05 Alcance e limites do dado
Todos os valores são agregados de topo, tal como publicados; não há microdados. Logo, nada no nível do eleitor — sem recorte por segmento, sem modelo de escolha de voto, sem medida individual de polarização. Para isso, o caminho segue sendo ESEB, LAPOP e “A Cara da Democracia”, com esta série como pano de fundo agregado.
Outros limites: com 31 pesquisas, os efeitos por instituto ainda são ruidosos (daí a preferência pelo agrupamento por método e pelos intervalos de bootstrap); o arredondamento embute ±0,5 pp antes da margem, de modo que oscilações de 1 pp podem ser só arredondamento; a rejeição foi retirada da figura por não ser comparável entre institutos; e nenhum ponto foi ainda reconciliado contra a íntegra do PesqEle — a fonte é matéria com metodologia.
Próximos passos de maior retorno: (i) reconciliação contra as íntegras do PesqEle, virando fonte_valor de “matéria” para “íntegra”; (ii) sobreposição do benchmark modelado (PollingData/El-Dash) para dimensionar a magnitude das correções agregadas; (iii) tratamento à parte de Cury e demais nomes emergentes, hoje retidos no CSV fora do núcleo fixo.