Pesquisa das Pesquisas: Relatório Nº 6

As pesquisas de 1º turno diante do resultado das urnas

Confronto entre a última estimativa de cada instituto e o resultado apurado do 1º turno (4 de outubro de 2026). A unidade de observação é a pesquisa, não o eleitor.

Resultado (válidos): Flávio 47,0% · Lula 45,2%16 institutos no confronto · desvio médio +3,2 pp pró-Lula
fonte do resultado: apuração TSE · 5 de outubro de 2026

§1 · Participação de Lula no par por instituto e resultado

01 Resultado do 1º turno e desvio agregado das pesquisas

No 1º turno, Flávio Bolsonaro fez 47,0% dos votos válidos contra 45,2% de Lula — uma vantagem de 1,9 ponto para Flávio, que leva a disputa ao segundo turno. A série de pesquisas, tomada em conjunto, apontava na direção oposta.

Para comparar pesquisas e urna numa mesma régua, usa-se a participação de Lula no par Lula–Flávio — a fatia de Lula entre os votos dos dois, que independe de quantos brancos, nulos e indecisos cada pesquisa registra. No resultado, essa fatia foi de 49,0% (abaixo de 50%, portanto Flávio à frente). Na última pesquisa de cada instituto, a mediana ficou bem acima disso.

Cada ponto é a última pesquisa de um instituto; a linha tracejada marca o resultado (49,0%). Pontos à direita da linha superestimaram Lula; à esquerda, Flávio. A cor segue o lado do desvio.

De 16 institutos com pesquisa recente, 14 superestimaram Lula e apenas 3 colocaram Flávio à frente no par, como as urnas. O desvio médio foi de +3,2 pontos a favor de Lula (mediana +3,5; erro absoluto médio 3,4). O maior desvio foi da CNT/MDA (+8,1); o menor, da Gerp (0,2). Não se trata de um instituto isolado: o conjunto do mercado esteve inclinado para Lula na leitura do primeiro turno.

§2 · Desvio ante o resultado por método de coleta

02 Desvio por método de coleta

O tamanho do desvio variou com a forma de coleta. As pesquisas presenciais, em média, foram as que mais superestimaram Lula; as online, as que menos.

Métodondesvio médio (pp, + pró-Lula)
presencial4+4,2
telefônica10+3,2
online2+1,9

A ordem inverte o senso comum de que a coleta presencial seria sempre a mais fiel: nesta eleição, as duas pesquisas online (AtlasIntel e Palver) ficaram mais próximas do resultado do que a média das presenciais. O número de casos por método é pequeno — a leitura é indicial, não uma medida da acurácia de cada técnica.

InstitutométodoLulaFláviopart. par (%)desvio (pp)
CNT/MDApresencial40,530,457,1+8,1
American Analyticstelefônica38,030,055,9+6,9
Alfa Inteligenciatelefônica40,033,054,8+5,8
Quaestpresencial39,034,053,4+4,4
Indexatelefônica39,034,053,4+4,4
Nexustelefônica42,037,053,2+4,2
DataTrendstelefônica39,035,052,7+3,7
Datafolhapresencial42,038,052,5+3,5
Real Time Big Datatelefônica43,039,052,4+3,5
AtlasIntelonline45,342,251,8+2,8
PoderDatatelefônica41,039,051,2+2,3
Meio/Ideiatelefônica39,438,450,6+1,7
Palveronline44,044,050,0+1,0
Vox Brasilpresencial40,441,249,5+0,5
Gerptelefônica40,042,048,8−0,2
Futura/Apextelefônica39,442,248,3−0,7

§3 · Efeito de casa estimado e desvio ante o resultado

03 Efeito de casa estimado e desvio ante o resultado

O efeito de casa que a série vinha medindo — o quanto cada instituto se afastava da tendência comum, antes de qualquer resultado — previu quase perfeitamente o tamanho do erro de cada um diante das urnas.

No eixo horizontal, o efeito de casa estimado na série (positivo = puxa para Lula); no vertical, o desvio da última pesquisa ante o resultado. Cada ponto é um instituto; a reta é o ajuste linear.

O desvio tinha duas parcelas. A correlação entre o efeito de casa estimado e o erro observado é de r = 0,91: as casas que a série apontava como mais favoráveis a Lula (CNT/MDA, American Analytics, Alfa) foram as que mais superestimaram Lula; as apontadas como favoráveis a Flávio (Gerp, Futura/Apex) foram as que chegaram mais perto das urnas. Sobre essa assinatura de cada instituto somou-se um deslocamento geral do mercado em favor de Lula, de cerca de três pontos, que atingiu quase todos. A medida de efeito de casa do relatório anterior, portanto, não era ruído: capturava viés que o resultado confirmou.

§4 · Nota metodológica

04 Metodologia

A métrica. Pesquisas publicam percentuais de topo (sobre o total de entrevistados, com brancos, nulos e indecisos); a urna reporta votos válidos. Para compará-los sem distorção de base, usa-se a participação de Lula no par Lula–Flávio — L ÷ (L + F) —, que é a mesma conta nos dois casos. O desvio de cada pesquisa é essa fatia menos a do resultado (49,0%); positivo quando a pesquisa superestimou Lula.

O que entra. A última pesquisa de 1º turno de cada instituto com campo encerrado nas três semanas finais da campanha, no cenário estimulado sem Marçal (candidatura indeferida). Institutos sem pesquisa recente ficam de fora deste confronto. O resultado é o apurado pelo TSE; a Veritá segue fora da série por reportar em votos válidos.

Efeito de casa. É o do relatório anterior (resíduo da diferença Lula–Flávio ante a tendência comum, por instituto), estimado antes de qualquer resultado. O confronto aqui é, portanto, uma checagem fora da amostra: mede-se se aquela assinatura previa o erro real.

Limites. É uma única eleição e 16 institutos; os números têm valor indicial, não inferencial. O desvio é de primeiro turno — nada garante que a mesma inclinação se repita no segundo, que terá dinâmica própria e será acompanhado em separado. A leitura é descritiva: mede a distância entre o que as pesquisas mediram e o que as urnas registraram, sem atribuir intenção a institutos.

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